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Cheia do Rio Negro ‘devolve’ toneladas de lixo a manauaras

Foto do escritor: Portalfolhadafloresta.com
Portalfolhadafloresta.com
26 de mai. de 2021
2 min de leitura

26 de Maio - 2021

Conhecida mundialmente por estar localizada no ‘coração’ da Floresta Amazônica e cercada pela maior bacia hidrográfica do mundo, Manaus esconde ‘segredos’ nada ecológicos nas águas do Rio Negro e dos igarapés que cortam a sua área urbana. No entanto, a enchente de 2021 trouxe luz ao gravíssimo problema ambiental: toneladas de lixo têm sido retiradas, diariamente, dos leitos das águas fluviais que cercam a cidade mais populosa da Amazônia.


Para quem anda pelas ruas de Manaus, não é difícil cruzar com riachos poluídos, e instantaneamente, deparar-se com garrafas pet, saco plástico e outros dejetos boiando em igarapés, mas os resíduos visíveis são irrisórios em relação à imensidão da tragédia ecológica oculta no interior dessas águas fluviais.


Na iminência de se tornar a maior enchente em mais de cem anos de monitoramento, a cheia de 2021 tem, de certa forma, expelido os dejetos que recebe ao longo dos anos. Somente nos primeiros meses de 2021, já foram retirados mais de mil toneladas de lixo dos igarapés e da área da orla do Rio Negro na capital, segundo a prefeitura.


Em meio à falta de políticas públicas e a inexistência de cidadania – recorrente em todos os nichos sociais, quem mais sofre com o problema ambiental é a população que reside em áreas alagadas da capital.


Mãe de duas filhas, a autônoma Maria do Socorro, de 36 anos, precisou alugar uma outra casa após a cheia ter inundado e cercado de lixo a residência onde ela vive há mais de duas décadas, na rua Universal, bairro Educando, Zona Sul de Manaus.“


Pensei muito no risco de contrair alguma doença, principalmente em relações às minhas filhas. Tem aparecido muita cobra também, e o odor do lixo trazido por essa água poluída é muito forte, então refleti muito sobre tudo isso e decidi fazer um sacrifício ainda maior, porque as coisas já estão bem difíceis, e me mudei para uma casa duas ruas acima”


A autônoma conta que descarta o lixo doméstico o corretamente, mas que já viu alguns moradores jogando resíduos em lugares impróprios.


“Eu não tenho muito estudo, mas a minha mãe sempre me ensinou o mínimo. Lugar de lixo é no lixo, mas nem todos pensam assim. Infelizmente, muita gente ignora a natureza e descarta as coisas em todo o lugar, e não é só aqui. Já vi muita gente ‘educada’ jogando lixo na rua, por exemplo”, ponderou Maria.


Descarte irregular e falta de saneamento são os principais problemas


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FONTE: PORTAL EM TEMPO

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